sexta-feira, 18 de junho de 2010

A "tia" Farida

Quarto em Manica, providas da panóplia anti mosquito
Sorrindo para a posterioridade em banco de ripas coloridas e

fazendo pose junto a flamingos de pau

Big Baloiço!!!

A triplicar o prazer nestas paragens africanas



Tia Farida e cozinheira divinal acoplada



Manica 6 de Agosto 1999
Quarto em Manica
Reflexões obrigatórias sobre tia Farida no final de mais um dia em cheio


Até este momento, ainda não nos tínhamos dignado dedicar algumas linhas do nosso diário a alguma pessoa em especial.
Aqui em Manica, conhecemos uma mulher com M maíusculo - a tia Farida.
Embora não tenha laços familiares com a Lígia, é sua tia por afinidade.
Conhecemo-la ontem, não, conhecemo-la hoje. Isto é inacreditável!
Conhecemo-la hoje ao fim da manhã, depois de termos ido ao mercado. A Lígia entrou por uma porta, ao lado de uns homens que estavam a coser à máquina ( os alfaiates de rua) e nós seguimo-la. Entrámos num quintal com um baloiço enorme ( foi a primeira coisa que me saltou á vista).
A tia Farida estava na cozinha, veio ter connosco, entrámos na cozinha, cumprimentou-nos calorosamente, tratou-nos pelos nomes, fez-nos sentar, informou-nos que já tinha conhecimento sobre a "biografia" de cada uma de nós e tratou logo de nos ditar que já tinha feito um plano para a nossa estadia em Manica. Com a naturalidade de quem faz o melhor possível, com a maior sapiência possível. Nem questionou.
É uma Mulher especial, especial em tudo, se não soubesse que tinha andado na escola com a mãe da Lígia, nem lhe saberia calcular a idade.
Estava sentada à mesa, os olhos brilhavam, tem uma linguagem gestual inacreditavelmente bela e energética.
É de uma naturalidade, de uma espontaneidade, de uma leveza, que eu dei comigo a pensar que esta mulher não está bem aqui em Manica, é demasiado livre, demasiado espontânea, para viver num meio pequeno; mas segundo a Lígia ( e tem razão), se não vivesse aqui, não seria assim, viveria de asas cortadas.
Falou tanto, de tudo, dela, da vila, do que deveríamos fazer e ver, apresentou-nos a tantas pessoas, combinou lanches, marcou entrevistas, quase. Meu Deus!
Despedimo-nos dela e prometemos voltar. à tarde, quando passámos pela loja dela, estava ao telefone. Estava a falar com uma amiga da Beira, um assunto sério de família. Interrompeu a conversa à nossa entrada e tratou de fazer as apresentações via telefone, com boas propostas de casamento pelo meio, com a contrapartida de reconversão ao islamismo.
A tia Farida é eléctrica, segundo a opinião da Lígia e da Tucha, mais eléctrica do que eu, consegue superar-me.
E com o desvairo das conversas dela, esquececemo-nos do que a mãe da Lígia nos tinha encomendado e tirou-nos a disponibilidade de escrever sobre o resto, porque conhecer uma pessoa destas, implica infalivelmente escrever sobre ela.
Apresentava-nos da seguinte forma: aqui estão três amigas minhas: a Inês, a Tucha e a Gita. A Tucha é de Moçambique, de Lichinga - antiga Vila Cabral; a Gita é neta do Perino, filha do João e da Fátima e a Inês é amiga delas, mora ao pé, são todas amigas e vieram a Manica.
Vomitava todas estas informações em segundos.

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